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ARAGUAIA

06/04/2018 12:18

Habel é apaixonado por Cuiabá, ícone da viola de cocho e guarda museu em casa

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Ele confessa ser um dos maiores frequentadores do aterro e ressalta o bordão ecológico “lixo é luxo”, por se considerar um caçador de tesouros por onde passa. “Desenvolvi esse olhar minucioso para o que é descartado, mas tem seu valor. Este sofá mesmo que você está sentada foi encontrado no lixão e eu restaurei. É de uma madeira excelente que não se faz mais e, por isso, aguentou tanto tempo de chuva e sol”, disse, ao lembrar que herdou do pai a aptidão por coisas antigas.

Habel, antes de se mudar para a Capital, foi alertado que a cidade só tinha duas estações, verão e a da rodoviária. Mas, quando chegou, fazia 4° C. “Foi aí que conheci o calor humano, tive que emprestar roupas. Me lembro que cheguei por volta das 5h da manhã, o dia ainda estava clareando e me levaram para comer uma peixada no Porto. Quando avistei um cuiabano dentro de uma canoa rasa e fina, tirava um peixe do rio que era quase da altura dele”.

Ele não sabia, mas o que o pescador tirava da água era um pintado. “Eu fiquei assustado com o tamanho daquele peixe e tropecei em uma pedra que tinha olhos. Eu não sabia que pedra tinha olhos, foi quando me disseram que não era uma pedra e, sim uma cabeça de Jaú”, contando aos risos.

Há 30 anos, o mineiro coleciona causos e diz que se apaixonou pela simplicidade do povo cuiabano. “Eu como professor de história também trabalho com história da música. Comecei a perceber nos símbolos, na cultura e no linguajar cuiabano as coisas que só percebia nos livros e, ao lembrar de Lusíadas de Camões, notei que essa terra é diferente, as pessoas falam também uma língua preservada”.

m 1987 mudou-se de mala e cuia para a Baixada Cuiabana, um mineiro, pau rodado e, desta vez, recém-chegado da vida movimentada em São Paulo. Abel Santos Anjos Filho, conhecido como Habel Dy Anjos, buscava tranquilidade e se tornou, por vários motivos, uma figura carimbada da cultura mato-grossense. O principal deles é a dedicação pela viola de cocho. Em 1997, ele a apresentou em um concerto-palestra na abertura da temporada de Primavera em Paris e entregou o instrumento ao Musée de L’Homme em nome do povo brasileiro.

Como pesquisador, também recebeu uma bolsa de investigação científica através da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e realizou trabalhos de pesquisa sobre a viola-de-cocho, cujo teor histórico e musical foi documentado no livro digitalizado intitulado Uma Melodia Histórica e publicado em 2002. Além do seu visível xodó pelo instrumento, tem outras curiosas atividades que permeiam entre o mundo das artes e antiguidades.

Enquanto a reportagem atravessou a sala da casa de Habel, a sensação era de estar numa máquina do tempo. São vitrolas, gramofones, relógio de cuco e outros elementos guardados há décadas. No canto de uma das paredes, dentro de uma redoma de vidro, um possível rabab e outros similares (instrumentos Árabes que possuem de uma a duas cordas), com mais de trezentos anos - que lembram, à primeira vista, o símbolo regional. “São como cochinhos árabes, medievais. Quando cheguei aqui e vi pela primeira vez a viola de cocho, logo pensei, tudo que sempre estudei nos livros está aqui e vivo”, disse entusiasmado.

O também concertista, professor da UFMT, escritor, produtor e arranjador musical de mais de vinte cd’s, restaurador de móveis e antiguidades, manuseou suas relíquias - boa parte instrumentos musicais - enquanto contou parte sua trajetória ao  .


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